Em meados de 2003 ou 2004 (já adianto que sou ruim pra datas) eu tive a chance de ser uma pessoa emocionalmente melhor. Percebo isso hoje. É quase como se uma escolha simples, fizesse toda a diferença em uma vida inteira. E talvez tenha feito.
Foi quando eu tive a chance mais concreta de ter um daqueles namorados de anos e anos. Mas o medo foi maior. Desde então, comecei o looping eterno de escolhas infelizes.
Em 2006, fiz o que julguei mal porque a curiosidade ganhou. Pouco tempo depois, quase me deixei enganar, mas a sensatez me salvou. E a frieza começou a aparecer.
Em 2007, me vi em um tipo esquisito de bifurcação que, hoje, posso ver que seriam duas escolhas que trariam resultados praticamente iguais. Escolhi a mais impossível e sutil, amoleci e me deixei encantar. Sonhei, voei e, quando achei que estava nas nuvens, despenquei do abismo e caí no purgatório. Me sentenciei a ficar dois anos em algum tipo de luto. A desconfiança ganhou. E ainda aparecem vestígios, ocasionalmente.
Em 2009, achei que seria diferente. E, de fato, foi. Foi sem frio na barriga, sem ansiosidade, sem pequenos dilemas. Foi maluco e indiferente. Foi quando eu descobri que sei atuar no outro papel.
Em 2010, finalmente fiz uma escolha certa. Só errei no pós, talvez por falta de hábito em chegar neste ponto. Sinceramente, não sei se eu agisse de outra forma, faria alguma diferença. Acho que vai ser uma eterna incógnita a ser levada.
Meses depois, tive um tipo de lapso, corrigido a tempo.
Tudo encaminhado e devidamente estacionado. E, depois desse pequeno resumo de infelicidades ou pequenas frustrações, eu conseguir mudar a primeira escolha de todas?
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