Susan, em um dia qualquer, reparou no tempo. Ficou encantada com a idéia que lhe passou pela cabeça: qualquer pergunta que lhe fizessem, ela conseguiria tranqüilamente responder com a palavra tempo.
Estamos constantemente reclamando que precisamos de um tempo, que devemos dar tempo ao tempo, que precisamos parar o tempo... Seria o tempo o vilão do mundo? Ela sabia que não. O tempo era apenas uma desculpa casual que sempre é capaz de camuflar os verdadeiros motivos que nos afligem.
Lembrou-se de um dia que conversava distraidamente com uma criança e ela olhou para Susan com os olhos cheios de dúvidas, perguntando o que era tempo. No momento, Susan respondeu com simplicidade dizendo que era o que o relógio marcava, as horas do dia ou quantos minutos eram necessários para se fazer alguma coisa.
Agora a pergunta da criança martelava em sua cabeça, mas com um novo interesse. Tentou definir pra si. Cinco minutos depois, desistira. Susan só sabia que o tempo era, de qualquer forma, um importante fator em vários tipos de decisões. É com base nele que se estipula se é possível seguir em frente, parar ou mudar de rota. Tudo depende do tempo.
E aquilo soava fantástico, como se tivessem acabado de sussurrar em seu ouvido a resolução de um problema impossível ou até mesmo os números que seriam sorteados no sorteio de amanhã. Susan se assustou quando percebeu que algumas coisas que antes não faziam sentido, agora estavam um pouco mais claras. Ela tinha que ter um domínio sobre as palavras, tinha que saber jogar com elas e só assim chegaria na resposta real.
Elaborou em sua mente a situação, repassou possíveis diálogos e definiu posições. Ia lutar pela verdade. Pela sua verdade.
Tomou um gole de água e, então, partiu.
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