domingo, 27 de setembro de 2009

M.

Era domingo de manhã e um passarinho cantava lá longe. Michelle foi acordando, assimilando aos poucos aonde estava, lembrando da noite passada. Olhou pro lado e ele realmente estava lá. Sorriu e suspirou, mostrando seu alívio. Era verdade. Era tudo verdade! Não era a sua mente tentando pregar algum tipo de peça, tentando mostrar a loucura que aquilo tinha virado. Não, não era. Tinha acontecido. Depois de dias mergulhada em um silêncio profundo, ela subira a superfície.
Ele ligou, pediu desculpas e a chamou pra jantar, pra poderem conversar melhor. A princípio, ela negou, disse que tinha coisas pra fazer. Pura mentira, mas não podia parecer desesperada. Esperou uma segunda ligação e, no dia seguinte, lá estava o telefone tocando. Era ele de novo. Dessa vez, ela aceitou.
Jantaram, conversaram e ela aceitou ir para a casa dele, buscar umas coisas que ele tinha achado. Achou estranho, não sentira falta de nada, mas não discutiu. Sabia que tinha que ir e ponto. Ao parar na porta da casa dele, Michelle prestou atenção no jardim. Adorava aquele jardim, como se já o conhecesse de alguma capa ou encarte de um cd qualquer. As tulipas, em especial, a fazia sorrir. Era o seu segredo, ninguém mais sabia ou ao menos lembrava. Era seu, só seu.
Entrou, sentou no sofá. Ele disse que ia buscar as tais coisas e já voltava. Nisso, ela reparou que ainda havia uma foto dos dois, no velho porta-retrato. Foi aí que as coisas começaram a fazer sentido. Não importava o caminho a ser seguido, todos, hora ou outra, terminariam nela. Michelle se sentiu leve. Se sentiu a garota mais sortuda no mundo. Teve vontade de subir aquelas escadas e correr até ele, abraçá-lo e dizer que queria parar com os joguinhos, queria ser feliz de uma vez, que queria poder chamá-lo de seu. Se controlou e esperou, afinal ela podia estar errada como tantas vezes antes.
Ele desceu com um livro verde. Ela ficou tentando caçar no fundo da sua memória que livro era aquele. Antes que ela tentasse dizer que aquilo não era seu, que devia ser de uma vadiazinha qualquer que ele trouxera pra lá, ele disse que queria a opinião dela. Abriu o livro e vi que, na verdade, era um álbum de fotos. Tinha fotos dos dois que ela nem lembrava mais, alguns espaços não continham fotos, mas sim versos de música. Ela viu Michelle, Dia Especial, Sunday, The Masterplan, Too Much To Ask, Mona Lisa... Michelle ficou sem palavras e sentiu uma lágrima correr.
Tentou falar, mas ele a interrompeu de novo. Disse que não queria que ela falasse nada, só queria poder dormir e acordar com ela ao seu lado, nem que fosse pela última vez. Ela concordou. E sabia que ele sabia o que ela estava sentido, ele sempre lia o seu coração pelo olhar. Subiram de mãos dadas, deitaram. Michelle sonhou azul.
Agora ela estava lá, deitada, olhando ele dormir. O beijou, ele se assustou e sorriu. Ela deitou sobre o peito dele e assim ficaram, sem dizer uma única palavra. As batidas do coração dele soaram como música para os seus ouvidos.
A NEED A FIX IN THOSE HEROIN EYES!

You're my chemical.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os dias passam, as coisas fluem, o tempo não para.
Vida não espera, a mente trabalha, os olhos se fecham.

Keep breathing.

domingo, 20 de setembro de 2009

Fico feliz só de saber que tá tudo bem.
Só de falar ao mesmo tempo, com entusiasmo.

Fico feliz por ser você.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Acho engraçado que a gente cisma com umas pessoas.
Seja no sentido bom ou no sentido ruim.
Umas encomodam quando tão perto.
Outras encomodam por estarem longe.

Vai entender.

sábado, 12 de setembro de 2009

M.

Michelle andava distraída, cantarolando Lady Madonna. Estava satisfeita. Saira de casa com um único objetivo: se desconectar de qualquer lembrança que ele havia deixado. Um objetivo impossível, ela sabia, mas tinha que conseguí-lo, nem que fosse por cinco minutos, contatos no relógio.
Seu pensamento estava longe, estava perdido entre as ruas de Londres, lojas de Paris e praias brasileiras. Michelle queria o mundo e sabia que o mundo a queria. O mundo parecia assustadoramente enorme, mas ao mesmo tempo fantástico. Um mundo com diferentes hábitos e ideologias. Um mundo em guerra diaria que sempre pede por paz. Um mundo com bilhões de pessoas diferentes e iguais. E, quando chegou nesse ponto, se assustou. Qual era a chance de existir alguém com boa parte das características que ela mais gosta na mesma cidade que ela? A resposta foi imediata: Quase nula. Parou. Olhou em volta. Seguiu.
Mudou para Can't Buy Me Love. Sabia. E negava. Não queria isso agora. Era sua proteção. Vivia dizendo pra quem quisesse ouvir que era impossível acertar logo. Tinha guardado pra ela que escolhas apressadas raramente eram as certas. Foi aí que Michelle se prometeu tempo. Ela viveria fase por fase. Teria uma vida completa, sem pular nenhuma etapa, a menos que fosse necessário. Parou de novo.

É, seu objetivo tinha se esgotado.
'Fui longe demais com você'.

É uma bela frase.
E eu poderia passar horas tentando explicar o quão linda e complicada ela soa.

domingo, 6 de setembro de 2009

I feel so extraordinary
Something's got a hold on me
I get this feeling I'm in motion
A sudden sense of liberty
The chances are we've gone too far
You took my time and you took my money
Now I fear you've left me standing
In a world that's so demanding

I used to think that the day would never come
I'd see the light in the shade of the morning sun
My morning sun is the drug that brings me near
To the childhood I lost, replaced by fear
I used to think that the day would never come
That my life would depend on the morning sun.