sábado, 12 de setembro de 2009

M.

Michelle andava distraída, cantarolando Lady Madonna. Estava satisfeita. Saira de casa com um único objetivo: se desconectar de qualquer lembrança que ele havia deixado. Um objetivo impossível, ela sabia, mas tinha que conseguí-lo, nem que fosse por cinco minutos, contatos no relógio.
Seu pensamento estava longe, estava perdido entre as ruas de Londres, lojas de Paris e praias brasileiras. Michelle queria o mundo e sabia que o mundo a queria. O mundo parecia assustadoramente enorme, mas ao mesmo tempo fantástico. Um mundo com diferentes hábitos e ideologias. Um mundo em guerra diaria que sempre pede por paz. Um mundo com bilhões de pessoas diferentes e iguais. E, quando chegou nesse ponto, se assustou. Qual era a chance de existir alguém com boa parte das características que ela mais gosta na mesma cidade que ela? A resposta foi imediata: Quase nula. Parou. Olhou em volta. Seguiu.
Mudou para Can't Buy Me Love. Sabia. E negava. Não queria isso agora. Era sua proteção. Vivia dizendo pra quem quisesse ouvir que era impossível acertar logo. Tinha guardado pra ela que escolhas apressadas raramente eram as certas. Foi aí que Michelle se prometeu tempo. Ela viveria fase por fase. Teria uma vida completa, sem pular nenhuma etapa, a menos que fosse necessário. Parou de novo.

É, seu objetivo tinha se esgotado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário