domingo, 7 de março de 2010

Envelhecer.

O tempo nunca para. Nunca. E com ele, pessoas circulam pela nossa vida por caminhos diversos, com várias direções. Caminhos e modos que só terão o porquê desvendado, talvez, nos famosos 'cinco minutos'.
Ao nascer, somos a novidade. Ficamos em um berçário, cercado de outras novidades. Pais, tios, avós, amigos, vizinhos... Uma variedade enorme de pessoas que param em frente ao vidro, pra apontar e dizer 'é aquele(a) ali, não é lindo(a)?'. Somos, de fato, o centro do mundo. Do nosso futuro mundo, aquele que vamos desvendar pelos próximos oitenta e poucos anos.
Crescemos e seguimos em frente. Conhecemos a escolinha, a amizade e amor, mesmo que não tenhamos a menor noção do significado disso. Hoje, eu já sei. É o começo da formação de personalidade, profissional e de relações entre nós, seres humanos. Descobrimos a hierarquia, o não, o sim, a alegria, o choro.
Em poucos anos chegamos ao ensino fundamental. Aí, conhecemos a responsabilidade, a inveja, a intriga, a competição, a vergonha, a curtição, o beijo, a(o) melhor amiga(o). É começo da troca da brincadeira, pelo amadurecimento. Trocamos os carrinhos e as barbies por um vídeogame e um computador. Trocamos os lápis de cor pela caneta. Trocamos o caderno de desenho pelo caderno de caligrafia. Aprendemos amar aquele(a) garotinho(a) que nos faz perder o ar. Aprendemos que devemos confiança a(ao) melhor amiga(o). Em seguida, aprendemos que traição machuca, nos deixa arrasados e sozinhos. O chão desaparece, o mundo deixa de fazer sentido. Passamos a virar bombas complexas de sentimentos não resolvidos. E tudo toma o sentido curioso e indefinível.
Oito anos depois, chegamos ao ensino médio. E você percebe que tem que descobrir a real resposta da pergunta que você ouve desde de criança: 'O que você quer ser quando você crescer?'. Médico? Engenheiro? Físico? Advogado? Químico? Administrador? Arquiteto? São profissões demais pra alguém entre 16 e 18 anos escolher. Acabamos empurrando pra frente a decisão, que muitas vezes só é tomada meses antes do vestibular, ou até no dia da inscrição, só. Aí, aproveitamos o resto do tempo pra ir ao cinema, namorar, ir a festas, conhecer gente, se apaixonar e criar dramas. Começa aí a 'melhor época da vida', segundo nossos pais.
Direto ou com cursinho, entramos na faculdade. Chegam os dezoito anos e as suas responsabilidades. Começam as festas que você sempre ouviu falar. Começa a vida adulta. Começa a sua profissão. São, sem dúvida, os melhores quatro ou cinco anos de nossas vidas.
Os anos seguintes, não sei ao certo como são. Sei o básico. Nos tornamos médicos, engenheiros, físicos, advogados, químicos, administradores, arquitetos e passamos a exercer nossa função. Conseguimos importância, criamos a nossa própria família, temos filhos. Criamos esses filhos e passamos a ver toda a nossa história refletida neles, sob o olhar de pai ou mãe. Vemos as lágrimas, as burradas, as conquistas. Viramos espectadores da vida deles, além de seguir em frente com a nossa.
Envelhecemos, perdemos amigos, parentes e nossos pais. Nos aposentamos e perdemos o rumo. Deixamos de ser médicos, engenheiros, físicos, advogados, químicos, administradores e arquitetos. Corremos para a solidão. Pessoas somem, contatos se perdem, o mundo se torna cada vez mais tecnológico. Se torna incompreensivo para a nossa mente de sessenta e poucos anos. O tempo corre, as atitudes permanecem iguais. Tudo ao redor muda, nós parecemos iguais, perdidos no tempo. Conhecemos nossos netos. Vemos nossa história se repetir de maneira dupla, agora sob o olhar de avô ou avó.
Por último, encontramos a solidão quando paramos de pensar, agir e sentir. Continuamos ali, apenas vivendo. Nos sentimos fracos, incapazes e, muitas vezes, precisamos de auxílio para fazer até a coisa mais simples do mundo. Corremos em busca da paz. E a alcançamos quando nosso pulmão para de encher, nosso cérebro para de trabalhar e nosso coração para de bater.

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