sábado, 7 de novembro de 2009

S.

Eram não mais do que nove e meia da noite de um domingo. Susan estava lá, de pé, em meio às luzes da movimentadíssima avenida da sua cidade, conhecida mundialmente. Ônibus e carros diversos passavam por ela, coloridos em meio a tantas luzes, mas ela nem fazia questão de reparar. Sua mente estava a quilômetros de distância e o máximo que sua atenção fazia era ver se o seu ônibus que estava se aproximando servia.
Chegou, Susan deu o sinal e o ônibus parou. Ela entrou, olhou um lugar e umas pessoas, em forma de borrões. Foi aí que notou aquele garoto. Seus pensamentos sumiram. Susan sentou-se imediatamente atrás dele.
Ele deveria ter por volta de um metro e oitenta, aproximadamente dezoito anos, cabelos escuros e ligeiramente longos, o braço esquerdo cheio de tatuagens. Susan ficou olhando seus traços pelo reflexo do vidro. Tinha traços diferentes. Talvez fosse o nariz. Ou seria a boca? Olhos? Sobrancelha, também. Ela não sabia dizer ao certo, mas sabia que ele fazia uma luzinha se acender no seu inconsciente.
Deixou a sua imaginação ir criando situações adversas a cada curva que o ônibus fazia. Imaginou aquele garoto se levantando e perguntando o porquê ela o olhava tanto. Imaginou ele casualmente deixando seus fones de ouvido caírem e ela pegando e os entregando a ele. Imaginou ele reconhecendo a música que ela ouvia e puxando um assunto qualquer. Imaginou-se tentando chamar a atenção. Imaginou, imaginou...

Subitamente ele apertou o botão e o ônibus parou. Ele desceu.
Susan apenas acompanhou com o olhar.

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