Ela estava agachada, pegando um pedra de tempos em tempos e pensava 'par ou ímpar?', fazia a sua escolha e arremessava no lago. Três pingos antes de afundar, o ímpar ganhou dessa vez. Um pouco antes de um dos arremessos, ouviu um sussurro no seu ouvido: 'par'. Liesel se assustou. Olhou e era ele. Arremessou. A pedra afundou direito.
Ela olhou no fundo dos olhos dele e lembrou da primeira vez que o vira. Seu coração disparara, sua cabeça rodopiara e um suspiro tímido escapara. Tinha conhecido o amor, o carinho, a cumplicidade. Pelo menos achava isso.
Hoje, ela não via mais nada disso. Havia se acrescentado tanta raiva, desprezo e orgulho que sentia repulsa pelo simples encontro de olhar. Ele passara a fazer mal. E Liesel sabia que a culpa não era dela. Pelo contrário, o pouco que deu certo foi seu mérito. No que chegou a vez dele provar que era real, a corda se rompeu.
Ele a encarava, dizia palavras doces. Liesel não ouvia, apenas se perguntava o quão cínico ele queria ser. Deixou ele falar, fingindo concordar vez ou outra. Certo tempo passou. Ela havia se controlado e manipulado a conversa. Ele havia se contradito cinco vezes e ela nem quis contar quantas mentiras ele havia inventado pra tentar se justificar.
A verdade era conhecida e Liesel podia agradecê-lo pelo medo que agora nela vivia. O medo de morrer de amar.
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