sexta-feira, 16 de julho de 2010

Enc:

Você tem a voz macia, com um tom estável e constante. Num sussuro te pergunto, em meio a uma brincadeira, se você é capaz de desafinar. Ao contrário do sorriso que eu esperava, vi o vazio. Você passou, eu fiquei.
Em meio a epifania, percebi que a sua qualidade também é o seu maior defeito. Não, não julgo como defeito. É mais justo dizer que é o seu ponto fraco. Você não tem coragem de mudar o tom. Não arrisca começar por um ré ao invés de um dó. Mantém os agudos e os graves na mesma sequência.
É verdade que você tentou, posso reconhecer. Mas você também deve reconhecer que a um passo da melodia se alterar, você desistiu e voltou ao que era. Ou ao menos tentou. A verdade é que você ficou perdido entre o elo do passado com o presente.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

M.

Michelle não sabia mais o que pensar. Não sabia mais o que dizer. Não sabia mais o que sentir. Decidiu ser franca pra evitar problemas, mas apenas arranjou mais alguns, além de uma profunda irritação.
Quis gritar. Quis matar. Quis chorar. Quis um ombro amigo.
Em meio ao turbilhão de idéias, se permitiu sonhar. Foi para o céu de diamantes, encontrou Lucy. Em meio a sensações esquecidas, se libertou. Lucy lhe contou que a vida pode ser mais simples desde que você a trate de maneira simples.
Mas em um susto, voltou ao quarto de paredes azuis com uma televisão sintonizada no vazio. O computador mostrava a presença de alguém novo em seus contatos. Michelle achou ironico e, como se fosse algum sacrifício, se controlou pra não falar o que martelava em sua mente.
Forçou-se um sorriso, mesmo sabendo que ninguém estava por perto pra saber se sorria ou chorava, e agiu da maneira mais natural possível. Ao perceber, desejou as lágrimas em sinal de fraqueza. Elas não vieram. No final, seria ela forte?
Mais do que imaginava, pelo menos.